segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CONTRAPARTIDA DA MEIA ENTRADA

Toda vez que um artista vai em busca de patrocínio, financiamento, etc, no projeto ele precisa oferecer uma contrapartida social entre outras. Difícil precisar quantos artistas de várias áreas atuam profissionalmente no Brasil, mas acredito não estar longe da verdade ao pensar que cerca de 90% produzem arte com recursos próprios, sem prêmios, incentivos, patrocínios e financiamentos – públicos ou privados.

Com essa moda de os políticos oferecerem "meia entrada" (não seria essa já uma outra modalidade de contrapartida social?) a torto e a direito, fazendo leis dispondo livremente do nosso trabalho, fazendo campanha e cumprimentando demagogicamente a população com o nosso chapéu  somos, LEGALMENTE OBRIGADOS a abrir mão da nossa remuneração. Sim, a maioria esmagadora da população não sabe que quando um estudante ou idoso paga meia está saindo do bolso do artista! que ainda assim paga TUDO em sua vida integralmente. Não apenas se paga tudo integralmente como também os profissionais que trabalham nas produções PRECISAM RECEBER e as diárias de ocupação dos teatros (públicos ou privados) são cada vez mais altas.

De outro lado, quando vamos assistir um filme, uma peça, comprar um livro, pagamos o ingresso integral, a livraria cobra o valor total do livro e por aí vai.
Em solidariedade, ALGUMAS produções oferecem 50% de desconto no ingresso ao colega profissional de artes cênicas, mas não são todas.

Pergunto-me por que não incluir nessas leis antes citadas também o desconto obrigatório ao artista? Em cada bilheteria, Brasil afora, a que chego sempre pergunto se há desconto para artista. A maioria não só nega como faz cara feia.
Ora, mas se justamente NÓS artistas somos os maiores prejudicados nessa politicagem toda, por que não fazer com que, compulsoriamente, toda bilheteria dê 50% de desconto ao artista devidamente registrado e com documento (com foto) comprobatório em mãos? Toda livraria dê 50% de desconto a artistas? E aí podemos sonhar e lutar por 50% de desconto em farmácias, médicos, hospitais (eu já conto com a boa vontade de contador e de um médico que recebem quando eu recebo cachês que demoram até um ano pra serem pagos), supermercados, energia elétrica, água, gás – por que não? Seria também forma de incentivar a profissionalização dos artistas, não?

Seria ótimo começar a reaver parte dessa baderna que virou a ‘contrapartida’ no Brasil. Se eu dou metade do meu ingresso de graça, poderia ganhar descontos proporcionais em serviços públicos, que tal?


Idéias pra fazer pensar.

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